DECRESCIMENTO – do Mito da Abundância à Simplicidade Voluntária

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@Deus mercado

Enquanto na venezuela tem uma briga pelo cumprimento da constituição, em que um governo que teve muitas conquistas no passado briga para se manter a qualquer custo, mesmo acabando com a democracia, em um militarismo extensivo, no brasil não se cumpriu a constituição e ninguém fala nada… Se descumpriu a constituição para acabar com as conquistas…

gostaria de saber uma estimativa real do comparecimento a constituinte…
com certeza não foi 12%… será que foi de mais de 40% como o governo diz? nesse sentido, acho que o boaventura tem razão…

Boaventura: Em defesa da Venezuela

“Nada justifica o clima de insurreição que a oposição tem radicalizado nas últimas semanas, cujo objetivo não é corrigir” problemas no sistema de distribuição e “bem estar social”, conquistas e direitos conquistados, mas sim desmontá-los como já vem acontecendo na “reviravolta a direita” da américa latina…

Mais tu concordas comigo que 8 milhões nunca foi Né, o Chávez ganhou tudo isso com sua maior popularidade…

porque, ao fim e ao cabo, sempre se trata de grupo de poder financiado por alguéns… tanto a situação da venezuela quanto a do brasil…
e ao meu ver, quando é o grupo mais numeroso, mais democraticamente eleito, deveria prevalecer… porque é mais positivo, tem mais possibilidade de ser coletivo…

claro que precisa resolver seus problemas quanto qualquer outro… deve fazer autocrítica…
nesse sentido que defendo cuba tb… se é autodeterminado, como vai dizer que não é democrático?
porque do outro lado é “o mercado”…
que não é amigo de ninguém
nesse sentido ninguém diz que isso não faz sentido….

http://outraspalavras.net/destaques/o-programa-secreto-do-capitalismo-totalitario/

Meios de comunicação, tecnologia de novelas, RP e PP aplicadas há tempos… 😉

observatório de notícias, que gravava os telejornais, transcrevia e montava BD pra fazer estatísticas sobre os pradrões de manipulação da informação já descritos por autores… a ideia era ir atualizando todos os dias…

usando os padrões do perseu abramo e outros atores…

https://marcozero.org/padroes-de-manipulacao-na-grande-imprensa-um-manual-para-tempos-de-crise/

https://radideologico.wordpress.com/2009/03/08/a-formacao-da-mentalidade-submissa/

DECRESCIMENTO – do Mito da Abundância à Simplicidade Voluntária 2016

A nova estratégia neoliberal é acabar com a beleza

Vinicius John

A partir da idade média, com seus mosteiros, castelos, reis, clero, “nobreza”, e plebe, a revolução industrial e a ascensão econômica e politica da burguesia provocou o nascimento dos Estados ditos modernos e republicanos.

Nos outros continentes, civilizações não imaginavam o que estava por vir. Nas Américas: Maias, Astecas, Tupinambá, peles vermelhas, etc. colonizados, mortos e escravizados; na Ásia: Índia, China, Japão, Rússia, etc. colonizados, mortos e escravizados; na África: colonizados, mortos e escravizados; na Oceania: colonizados, mortos e escravizados.

Toda matança e escravidão muito bem defendidas por Estado, Igreja e uma pseudociência. Esta, direta ou indiretamente, independente do lado que cada antepassado recente esteve, é nossa história, nosso nascimento.

Se há coisa globalizada, que une todas as nações do mundo, é a colonização europeia e branca. O modo ocidental e capitalista de ser, desde as colonizações, quem não faz parte, é contra. O imperialismo reina. Povos são destruídos, costumes milenares são alterados em prol de uniformização burra, universalização, globalização, visando implantar o consumismo e o ocidental way of life.

Quinhentos anos de guerras, fome, exploração do trabalho, escassez promovida,  obsolescência programada, destruição do ambiente (inteiro). Para que? Ou melhor, para QUENS?

“É por poucos terem tanto que tantos tem tão pouco”, como diz Eduardo Marinho, artista do RJ (vídeo e blog).

Fábricas foram implantadas, costumes milenares alterados, como o tempo: a partir de então, com um valor ($) e independente da natureza: dia, noite, chuva, frio, etc.; a urbanização acelerada e forçada: passamos a viver em caixas enfileiradas e sem comunicação, os meio de comunicação artificiais; meios de comunicação; recentemente a alimentação industrializada; medicina; etc.

Sem dúvidas caminhamos para o final da beleza, para a fascilização e a polarização da sociedade. Máfias e seitas cada vez mais fortes, lutando contra direitos (também humanos) histórica e duramente conquistados. A mercantilização de tudo é seu objetivo, acabar com a
educação crítica, com as artes, ciências humanas, etc.

Fascistas, fascistas em potencial, religiosos de diversos matizes (evangélicos, judeus, protestantes e mesmo cristãos → todas by ocidental way of life? Lutam contra a democracia, o estado de direito, igualdade racial, minorias como homossexuais. Tudo sem pagar impostos no Brasil.

No Brasil, se aliaram com muita eficácia com os ruralistas, os grandes meios de comunicação e o empresariado menos nacionalista, além é claro, dos especuladores e bancos.

Formaram-se máfias. Como sempre se utilizaram do capital econômico, sempre bolaram as melhores estratégias, compraram alguns dos grandes cientistas e, mesmo aqueles que não foram comprados, foram usados e reciclados. A igreja católica é umas das poucas instituições que perdura milênios destas todas que falamos. Os evangélicos são mais recentes, mas sempre tiveram benefícios. Porque acabar com a beleza? Marcia Tiburi fala muito bem em seu “Como conversar com um fascista” (vídeo).

No Brasil, após apenas alguns anos de um governo pretensamente de esquerda, estes mesmos talvez tinham perdido o monopólio do Estado. Já incomodados pela conquista de direitos e visibilidade dessas mesmas minorias, resolvem dar outro golpe, desta vez com um pouco mais de “estilo”, sem precisar dos militares.

Começam um ataque aos professores e acadêmicos em modo geral. No Brasil já temos Estados onde professores estão proibidos opinar! Não poder discutir e apresentar questões de gênero, homossexualismo, religiões? No Japão, recentemente o ministro da educação solicitou que as universidades acabassem com os cursos de humanas, porque não era útil ao país…

Começaram a privatizar e entregar o Estado, que é sim, uma das poucas instituições destas tantas que falamos que também perdurou todo o tempo, afinal, é a organização dos povos. Nasceu com a burguesia, mas é uma Instituição que deve servir a todos. Deve se tornar verdadeiramente independente do capital, para ser instrumento do bem comum. Hoje não é e, no caso do Brasil, nunca foi.

Querem acabar com a beleza. Acabar como as artes e com qualquer expressão que desvie do modo padronizado, unitário e utilitário de viver que precisam implantar. Querem acabar com o Estado, vender o país a preço de banana, como fizeram com a Vale (que vai voltar a ser pública), desvirtuar a educação, a democracia (mais ainda!). Não podemos deixar. Querem acabar com a beleza.

Opera Mundi – Não há justificativa econômica para paraísos fiscais, escrevem mais de 300 economistas a líderes globais

operamundi.uol.com.br

Não há justificativa econômica para paraísos fiscais, escrevem mais de 300 economistas a líderes globais

Thomas Piketty e Jeffrey Sachs são alguns dos signatários de carta pelo fim dos paraísos fiscais; ICIJ divulgou hoje base de dados dos Panama Papers

Em carta aberta a líderes globais divulgada nesta segunda-feira (09/05), mais de 300 economistas de diversos países alertam que paraísos fiscais não têm justificativa econômica e servem somente para aumentar a desigualdade no mundo.

A carta, organizada pela ONG Oxfam, foi assinada por nomes consagrados nas ciências econômicas como o francês Thomas Piketty, o norte-americano Jeffrey Sachs e o britânico Angus Deaton, ganhador do Nobel de Economia em 2015, entre outros. Eles sustentam que paraísos fiscais “beneficiam indubitavelmente” pessoas ricas e corporações às custas da população dos países em que elas ganham seu dinheiro, afetando especialmente países pobres, que perderiam cerca de 170 bilhões de dólares ao ano devido à sonegação de impostos.

Carlos Latuff / Opera Mundi

Charge de Carlos Latuff sobre as operações do escritório de advocacia Mossack Fonseca, divulgadas pelo Panama Papers

 

Em entrevista à BBC, o economista sul-coreano Ha-Joon Chang, da Universidade de Cambridge, um dos signatários da carta, afirmou que “paraísos fiscais basicamente permitem que empresas e indivíduos explorem o resto da humanidade”. “Estas companhias e pessoas fazem dinheiro em um país através do trabalho de funcionários educados com dinheiro público, usam estradas, portos e infraestrutura paga por contribuintes daquele país e levam seu lucro a outro país em nome de outra empresa que na verdade não faz negócio nenhum ali”, disse Chang.

O documento foi divulgado na véspera de uma conferência anticorrupção que será realizada nesta semana em Londres, onde se reunirão políticos de 40 países e representantes do Banco Mundial e do FMI (Fundo Monetário Internacional). “Pedimos que vocês usem a conferência em Londres para tomar medidas significativas para acabar com a era dos paraísos fiscais”, escrevem os economistas.

ICIJ divulga base de dados dos Panama Papers

O ICIJ (sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) divulgou nesta segunda-feira (09/05) a base de dados dos Panama Papers, na qual os usuários podem buscar os nomes de quase 214 mil companhias, fundações e fundos que são parte da investigação.

Anualmente, paraísos fiscais recebem bilhões que deixam de entrar nos cofres públicos de países em desenvolvimento

Justiça da Argentina pede informações sobre relação de Macri com empresas no Panamá e nas Bahamas

‘Panama Papers’ gerou debate global, mas pouca ação, diz fonte que vazou documentos

No banco de dados constam os nomes de indivíduos e empresas de mais de 200 países, disse o ICIJ em comunicado. Segundo o consórcio, que liderou a investigação junto ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, se trata da “maior revelação de informações da história sobre companhias obscuras secretas e as pessoas que estão por trás delas”.

No total, o escândalo abrange mais de 11,5 milhões de documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, especializado na gestão de capitais em paraísos fiscais, e afeta mais de 140 políticos e funcionários de alto escalão de todo o mundo, entre eles vários chefes ou ex-chefes de Estado e de governo.

Agência Efe

Manifestante em ocupação na Place de La Republique, em Paris, com cartaz “#PanamaLeaks, povos enganados, basta!”

Os documentos da base de dados divulgados hoje se referem a quase 214 mil empresas offshore criadas pela Mossack Fonseca supostamente para a sonegação de impostos de grandes fortunas.

O ICIJ alertou, entretanto, que empresas offshore “podem ter usos legítimos” e ressalta que não pretende afirmar que as pessoas ou companhias que aparecem nos documentos descumpriram a lei.

As empresas, fundações e fundos que estão no banco de dados têm sede em 21 paraísos fiscais, que vão desde Hong Kong até as Ilhas Virgens Britânicas, passando pelo estado de Nevada, nos Estados Unidos, indicou o ICIJ em comunicado.

Também aparecem na base de dados os nomes de diferentes personalidades e os cargos que elas ocupavam nas empresas, por exemplo, se eles eram diretores ou acionistas das companhias, assim como o endereço postal que a pessoa envolvida ou seu representante deram à Mossack Fonseca na hora de criar a offshore.

Os Panama Papers, o maior vazamento da história do jornalismo, foram divulgados no último dia 3 de abril e tiveram importantes consequências políticas, como a renúncia de Sigmundur David Gunnlaugsson como primeiro-ministro da Islândia.

*Com Agência Efe

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Vinte dias num grupo de WhatsApp dos apoiadores do Bolsonaro – Ponte Jornalismo

Fonte: Vinte dias num grupo de WhatsApp dos apoiadores do Bolsonaro – Ponte Jornalismo

“Seria legal uma divisão do Exército para caçar comunistas e simpatizantes”

Por Diógenes Muniz, especial para a Ponte Jornalismo

Sexta-feira, 15 de abril, 1h da tarde. Jair Bolsonaro acena de dentro do Rolls-Royce de cerimônias usado para a posse dos presidentes brasileiros. O político do PSC veste a faixa presidencial sobre o terno preto e usa óculos Thug Life (aqueles que cobrem os olhos de quem supostamente acaba de “mitar” na internet). Sob a montagem, uma legenda sugere: “Se você acredita que isso se tornará realidade, deixe o seu amém”.

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Polícia Federal, da esperança ao pavor

Fonte: Polícia Federal, da esperança ao pavor

História de um desastre: escorregão trágico do governo Lula e irresponsabilidade permanente de José Eduardo Cardozo criaram corporação superpoderosa, não-republicana e que flerta com Estado policial

Por Luis Nassif, no GGN

A criação da Sisbin

Nos anos 90, ajudei o então Secretário de Segurança do Ministério da Justiça Walter Maierovitch, com informações sobre as ferramentas utilizadas no mercado financeiro para lavagem de dinheiro.

Na CPI dos Precatórios, passei dias e dias, com minha coluna na Folha, desbastando cada instrumento financeiro utilizado para esquentamento de dinheiro, desde as operações zé-com-zé na Bolsa de Valores até as jogadas com títulos estaduais.

Por conta desse trabalho fui convidado pelo então Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para abrir um encontro em Pirenópolis (GO), juntando representantes de todos os órgãos de fiscalização – o Ministério Público Federal, Polícia Federal, Receita, Banco Central, COAF, para lançamento da Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência). Estavam lá figuras que se tornariam referenciais nos anos seguintes, como o Procurador Geral Cláudio Fonteles e o diretor da PF Paulo Lacerda.

O pedido de Márcio foi para que eu “descesse a lenha” nos métodos de investigação até então implementados, que desconheciam as nuances do mercado financeiro, e explicasse alguns mecanismos do mercado financeiro para lavagem de dinheiro.

Aproveitei para conversar com alguns dos presentes e o quadro apresentado era entusiasmador. Em Brasilia haviam sido montadas salas de situação onde se reuniam representantes de todos os órgãos para estudar as estratégias conjuntas contra a lavagem de dinheiro.

Descrevi essas mudanças em coluna de 14 de maio de 2005. A partir dali, começava a se fechar o cerco ao crime organizado, à ideia, que imperava desde os anos 70, de que seria impossível o cerco aos paraísos fiscais e às contas, que migrariam de um banco para outro sem deixar rastros.

Saí da reunião com a sensação de que estava sendo construído um novo país. E que o jogo político, os financiamentos de campanha convencionais, jamais seriam os mesmos.

Aparentemente, Márcio esqueceu de informar o governo.

A nova Polícia Federal

Nesse período, houve uma completa reformulação da Polícia Federal (PF). Novos equipamentos, novos métodos de investigação e, principalmente, uma liderança serena e segura de Paulo Lacerda, que incutiu um orgulho extraordinário na força.

Na época, conversei com um consultor contratado para trabalhos de gestão na PF. Na hora de definir o objetivo, houve consenso: em 20 anos, ter o mesmo nível do FBI.

A PF ganhou equipamentos de ponta, aprendeu a fazer gestão, aprimorou seus métodos de invesigação e, principalmente, teve acesso a parcerias internacionais armadas até os dentes com as novas tecnologias. A prisão do comendador Arcanjo – chefe da contravenção do Mato Grosso – foi um feito extraordinário. Através do GPS, o FBI orientou os agentes até o cômodo da casa onde Arcanjo se escondia.

Como consequência natural, a nova Polícia Federal – assim como o Ministério Público Federal (MPF) – quis testar a musculatura adquirida.

Houve tentativas iniciais de invasões de escritórios de advogados. Depois, Operações de nomes vistosos, algumas discretas e bem-sucedidas – como a da Daslu -, outras polêmicas e conflituosas, como a Satiagraha e a Castelos de Areia.

Dois episódios liquidaram com essa lua-de-mel.

O primeiro, a maneira como o governo Lula atuou no caso Satiagraha, humilhando a grande referência da PF – Paulo Lacerda, na época na ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) – e os delegados da Satiagraha. Salvou o PSDB e gerou um ódio mortal na corporação.

A segunda, a indicação de José Eduardo Cardozo para o Ministério da Justiça.

Cardozo montou uma estratégia fatal.

Na parte administrativa, deixou a PF às moscas. Não implementou um programa sequer.

No auge da guerra contra a TelexFree – o maior golpe já aplicado contra brasileiros na história – depois de muito cobrar a participação do Ministério da Justiça, Cardozo acabou me colocando em contato com um alto quadro da PF. A primeira frase da autoridade: “Senhor jornalista, quando vier a Brasília vamos conversar para contar o que o Ministro está fazendo com a PF”.

Para manter-se no cargo sem ser incomodado, Cardozo entregou todos os anéis e dedos para a corporação, trouxe cerca de dez policiais federais para sua assessoria, garantiu à tropa a ampliação do poder, mantendo a presidente desinformada sobre a marcha do golpe. E há suspeitas de que tenha sido responsável por parte dos vazamentos que inundaram a imprensa no período.

Semanas atrás, policiais da PF fizeram chegar à Casa Civil um material que mostraria aparelhamento da Lava Jato pelo PSDB do Paraná. Junto com o material, o alerta para não passar o material para o Ministério da Justiça (MJ), “senão mela”. Dias depois o dossiê saiu publicado na revista Veja. Questionadas, as fontes da Casa Civil confirmaram que o MJ havia tido acesso aos documentos. Pode ter sido coincidência; pode ser que não.

Outra figura chave foi o líder do governo no Senado, senador Humberto Costa. Apanhado na Operação Sanguessuga, Costa fechou um pacto político com a PF, ajudando a aprovar um conjunto de leis que permitiu à PF um emponderamento inédito.

A lei 12.830 garantiu controle total sobre inquérito policial. Agora, tudo passa pela PF, desde inquéritos do IBAMA, INSS. Imagine-se um delegado comandando 400 investigações.

Outra foi a lei 12.850, de combate ao crime organizado e à delação premiada. Em qualquer país do mundo, a delação é acompanhada pelo Ministério Público. A nova lei dá agora essa exclusividade aos delegados.

Costa e Cardozo tiveram papel central na aprovação dessas duas leis.  E se aliaram aos delegados nas discussões sobre a MP 650, que pretendia definir uma carreira única para o órgão.Na verdade, os delegados colocaram uma faca no pescoço do governo e saíram vitoriosos.

A faca, no caso, foi um bilhete manuscrito de Alberto Yousseff que continha um mero “Dilma 17 viagem”. O bilhete apareceu em abril de 2014 e não foi encaminhado à Procuradoria Geral da República, ficou nas mãos dos delegados.

Apenas no último dia 11 de março uma reportagem da revista IstoÉ relatou parte da história. Segundo a revista, a contadora de Yousseff, Meire Poza, contou que, ao tomar conhecimento do bilhete, o delegado Márcio Anselmo vibrou: “Que coisa maravilhosa! “. Os documentos foram guardados no porta-malas de uma Range Tober Evoque apreendida pela Lava Jato, e que ficou a serviço da PF, e só reapareceram agora.

Teria sido esta a arma da qual se valeram delegados para forçar o governo a aprovar a MP 657/2014, tornando privativo de delegados de classe especial o cargo de diretor-geral da PF. Em apenas duas semanas, a MP virou a Lei 13.047.

O feito foi comemorado pelo deputado e delegado Fernando Franceschini, que se vangloriava de ter botado “o governo de joelhos”.

O ponto final foi o pacto em torno do helicóptero do senador Zezé Perrela, aliado e amigo de Aécio Neves, transportando 450 quilos de cocaína. O abafamento do caso teria sido fruto de um acordo entre a banda tucana da PF, em troca de segurar a Operação Acrônimo, que envolvia o então candidato ao governo de Minas, Fernando Pimentel. Chegou-se ao feito inédito de um delegado da PF soltar uma declaração inocentando Perrela, fato sem precedentes na história da PF.

Ainda não se contou a influência do tráfico na política brasileira. Mas essa é outra história.

Esse é o mundo sem corrupção criado nas fantasias alimentadas pela Lava Jato, a partir do momento que escolheu lado.

As novas corporações

A Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal tiveram papel central nas armações contra Dilma. Foram parciais, em alguns momentos flagrantemente partidárias, mas fogem do figurino tradicional do golpismo latino-americano, de aplainar o terreno para um salvador da oposição – embora na prática seja isso o que ocorre, ao livrar os líderes da oposição de indiciamentos.

Nos dois casos, houve uma reação das corporações para se transformar em poderes autóctones.

Tome-se o caso do PGR Rodrigo Janot. Não se tenha dúvida de que foi o grande estrategista da Lava Jato. Criou as condições para o sucesso da Operação, provavelmente definiu o escopo das investigações, amarrou a cooperação internacional, alocou na força tarefa seus melhores procuradores e seus melhores recursos, monitorou passo-a-passo para não sair da legalidade e fez três intervenções que mostraram claramente o seu lado no jogo:

1.    Ao encaminhar para a Lava Jato denúncia vaga (e incorreta) de um obscuro parlamentar do Norte, com base em reportagem da revista Veja informando que a OAS teria feito reformas no sítio de Atibaia. Duas instâncias tinham recusado ir adiante, pela precariedade das informações. Janot deu seguimento ajudando a ressuscitar a tese do impeachment, que tinha perdido fôlego no final do ano passado.

2.    Ao autorizar a liberação dos grampos com conversas informais de Lula.

3.    Ao devolver o processo de Lula ao juiz Sérgio Moro.

E, no entanto, Janot é um procurador exemplar. Não tem ambições pessoais: ao contrário, é representante integral das ambições da corporação. Seus assessores pessoais acreditam que “ele quer fazer o correto”. E essa convicção mantém coesa a corporação. Toda sua estratégia visou ampliar a influência institucional do Ministério Público Federal, blindar a Lava Jato contra as interferências que anularam operações anteriores, à custa de um pacto com a Globo, incluindo a blindagem da organização. Temperou com um tanto de solidariedade mineira.

Mas não lhe peça para analisar os desdobramentos dessa atuação na vida política nacional, os impactos dessa radicalização nas próximas gerações, a abertura do precedente de um golpe legalizado (é golpe, sim), as consequências do vácuo político criado, as ameaças de retrocesso dos avanços sociais conquistados. Seu foco é o MPF, ponto. Ele não é especialista em Brasil: é em MPF. Aliás, ele não é Brasil: é MPF.

Trata-se de uma corporação com grandes especialistas em todas as áreas do direito e com algumas contribuições inestimáveis para o avanço civilizatório. Mas a inteligência corporativa é escassa, especialmente para temas políticos e institucionais. Como declarou certa vez um ex-presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), o Brasil é um oceano de corrupção que circunda a única ilha de honestidade, que é o Ministério Público. Questionar, quem há de?

Há plena convicção na corporação (com as notáveis exceções individuais) de que é possível controlar totalmente a corrupção, que arrebentar com cadeias produtivas produzirá uma economia mais forte, que criminalizar toda forma de apoio às empresas trará segurança jurídica, que criminalizar a política, a purificará. É uma segurança férrea, inamovível, questão de fé.

Mais do que um problema do MPF, reflete o desmoronamento institucional a partir do momento em que a presidência deixou de articular um projeto de país.

Em 1964 havia uma corporação com poder: a militar.

Agora, o que se tem é uma implosão do sistema político e do sistema institucional, com cada poder aproveitando o vácuo para ampliar seu latifúndio e sem um poder central capaz de articular e unificar as ações, atuar como algodão entre cristais, articular pactos entre os poderes.

Na hipótese de queda de Dilma, esse será um complicador a mais. Na parte política, armado de suas prerrogativas constitucionais, o poder empalmado pelo grupo de Eduardo Cunha, tendo Michel Temer como bastante procurador. Na outra ponta, o MPF e a PF pintados para a guerra. Pairando acima o STF (Supremo Tribunal Federal), mas tão acima, tão acima, que não venha ninguém atrapalhar seu sono. E, na base, a multidão dos desassistidos, organizados por todo o país, inconformados com as janelas que se fecharão na grande noite que se prenuncia.

Daqui até 2018 há uma grande caminhada.

Em sua nova versão, mais uma vez Brasilia tenta enquadrar o restante do país, encaixotar o país em gabinetes, monitorados por tecnologias avançadas, com a missão salvacionista consagrada no evento de ontem na PGR, sobre as 10 medidas contra a corrupção.

FNDC – O papel da mídia nas manifestações do 13 de março

Escrito por: Bia Barbosa e Helena Martins
Fonte: Carta Capital/Intervozes

Achar que a imprensa apenas cobriu os atos e não foi um componente central de sua própria concretização é ignorar o papel dos meios nas democracias

Os números da Polícia Militar apontam para mais de 3 milhões de pessoas nas ruas em todo o Brasil no domingo 13. Seria, de acordo com a imprensa, a maior manifestação da história do País – maior que as Diretas Já e que os atos de junho de 2013.

Foram os resultados das investigações do Ministério Público e da Polícia Federal os responsáveis por mobilizar tanta gente? Foram as delações premiadas da Operação Lava Jato? Os inúmeros erros dos governos Lula e Dilma, ao longo de 13 anos? Foram os recursos dos partidos de direita usados para convocar e levar muitos pras ruas?

Foi tudo isso. Mas nada teria a dimensão alcançada sem o papel estrutural dos meios de comunicação de massa em nossa sociedade.

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