O Provincianismo de Manaus

Caro Prefeito Arthur, ao cumprimentá-lo cordialmente, gostaria de discordar de suas palavras ao afirmar que o provincianismo de Manaus reside no limite de 18 andares das edificações. Não acredito tão pouco que seria resolvido por adotar o limite de 25 andares.

Na minha singela opinião o provincianismo de Manaus tampouco está na “cultura” da população, usada sim como bode espiatório de uma elite não cidadã, sem escrúpulos e educação, já cantada por Nicolas Jr.

O provincianismo se encontra na necessidade dos fiscais municipais ou estaduais terem de consultar as chefias pedindo permissão para realizar seu trabalho, com medo de envolver juiz, promotor, político, empresário ou mesmo qualquer funcionário público.

O provincianismo é encontrado no nome da rua ou avenida com 4 palavras, recém alterado pelo vereador, que depois interfere pelo lanche irregular ou pela igreja.

Quando um funcionário da prefeitura ou do estado intercede para manter parte do imóvel sobre a calçada. Para manter o funcionamento da empresa em local inadequado. Para realizar uma obra sem licença.

Está na aterragem do igarapé pelo empresário, com licença dos órgãos competentes em uma das principais avenidas. Na ausência de políticas como o IPTU Progressivo, afinal, interferiria nos proprietários de terrenos baldios e casas abandonadas, na elite especuladora. Na ausência de praças e espaços públicos de lazer, restritos a poucos e privilegiados bairros. Na qualidade do transporte público. Nos órgãos públicos monopolizados por amigos e famílias, afinal, nunca houve concurso público.

Caro prefeito, o provincianismo está na lei aplicada somente ao mais fraco, para quem não tem conhecidos em qualquer escala dos órgãos públicos. Em sua elite mal educada e não cidadã, sua elite sem vergonha de sua própria cidade. Não é questão de cultura mas sim de educação, de cidadania básica, de ausência de qualquer campanha educativa pelos órgãos competentes, afinal, preferem continuar na província.

O provincianismo de Manaus é sua elite que não percebe que viveria melhor se todos vivessem melhor…

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Síndrome Jango impede fim dos abusos na Televisão Brasileira

Os governos brasileiros sofrem, na radiodifusão, da síndrome Jango. Quando a lei entrou em vigor, João Goulart era o presidente da República. Pouco tempo depois, esses mesmos radiodifusores, aliados a setores da mídia, obtiveram outra vitória: derrubaram o presidente e apoiaram a ditadura

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Alexandre Frota no programa ‘Conversa de Gente Grande’, da tv bandeirantes. Foto: Band

Crianças fazendo perguntas de adultos para “celebridades” surgiram como nova atração da Bandeirantes nas noites de domingo. Concorriam com Faustão na Globo, Silvio Santos no SBT e Gugu na Record, evidenciando que o controle remoto não serve mesmo para nada. Troca-se de canal, mas o nível continua o mesmo.

A Bandeirantes tentou inovar, e acabou colocando no ar um programa chamado Conversa de Gente Grande. Constrangedor. Menores de 12 anos entrevistavam “celebridades” com perguntas – algumas claramente formuladas pela produção do programa – destinadas a provocar risadas nos adultos.

Para Alexandre Frota, uma criança perguntou como tinha sido “a primeira vez”. Outra quis saber se Sabrina Sato havia feito “o teste do sofá” para trabalhar na TV. Como se nota, a escolha dos entrevistados e das perguntas enquadra-se perfeitamente no artigo da Constituição que estabelece preferência, nos programas de rádio e TV, para conteúdos com “finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”.

O que fazer? Infelizmente muito pouco. Não há para quem reclamar. No Brasil, ao contrário do que acontece nas grandes democracias do mundo, não existe um órgão regulador capaz de ouvir o público e dialogar com as emissoras. A existência desse órgão foi prevista em alguns dos 19 anteprojetos de lei para o rádio e a televisão, elaborados desde os anos 1980, nunca levados adiante. Continuamos com a mesma legislação que, em 27 de agosto, completou 50 anos.

Os governos brasileiros sofrem, na radiodifusão, da síndrome Jango. Quando a lei entrou em vigor, João Goulart era o presidente da República. Ele vetou 52 artigos do texto aprovado no Congresso, a maioria de interesse dos radiodifusores. No entanto, de forma inédita, o Parlamento brasileiro derrubou os vetos presidenciais, mostrando, em 1962, uma força até hoje inabalável.

Menos de dois anos depois, esses mesmos radiodifusores, aliados a outros setores da mídia, obtiveram uma vitória maior: derrubaram o presidente da República, integrados que estavam ao movimento civil-militar de 1964. Essa talvez seja a razão principal da timidez de todos os governos, de lá para cá, levar adiante o debate em torno de uma nova lei para a radiodifusão.

Há 50 anos o Brasil tinha 71 milhões de habitantes e só 5% possuíam um aparelho de TV. Hoje somos quase 200 milhões e a televisão está em 98% dos domicílios. Hábitos, valores e costumes eram bem diferentes. A pílula anticoncepcional não havia sido inventada nem a minissaia era moda. Era um país rural, com 80% da população morando no campo. Hoje é o inverso, mas a lei permanece a mesma. Sem falar das diferenças tecnológicas. O videoteipe era a grande novidade, permitindo, por exemplo, que Chico Anísio contracenasse com ele mesmo, e os jogos da Copa do Mundo no Chile pudessem ser vistos aqui, no dia seguinte. Tudo em preto e branco.

Uma lei feita para aquele momento é incompatível com os tempos atuais. Por ser tão desatualizada não regula nada e permite abusos. Como o aluguel de horários para igrejas, a propriedade de vários meios de comunicação por um mesmo grupo empresarial, a falta de diversidade nas programações, a renovação das concessões de rádio e TV sem debate público, entre outras aberrações.

É óbvia a necessidade de uma lei de meios. Aliás, ela já está pronta há muito tempo. Há contribuições, por exemplo, dos ministros Sergio Motta e Juarez Quadros, dos governos Fernando Henrique, e, mais recentemente, do ministro Franklin Martins, no segundo governo Lula. Mas aí entra em cena a síndrome Jango. O poder político das empresas de comunicação – ferozes adversárias das mudanças – atemoriza os governos, tornando-os reféns do atraso. E o telespectador, vítima da TV, não tem para quem reclamar quando vê uma criança perguntando a uma “celebridade” como foi a sua primeira relação sexual.

Laurindo Leal Filho, Revista do Brasil

Sob protestos indígenas, CCJ aprova PEC sobre demarcação de reservas – Agência Câmara de Notícias

[o JN reportou esta importante derrota popular, que quer alterar a CF, com 4s num artigo maior cujo título era “derrota do governo”, onde muito maior ênfase foi dada a votação para a copa… este é o jornalismo exemplo da globo… FDP S.A.]

A aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/00, que inclui entre as competências exclusivas do Congresso Nacional a aprovação da demarcação de terras indígenas e áreas de conservação ambiental, levou um grupo indígena a fazer uma manifestação na Câmara, no início desta tarde.

A comissão aprovou a admissibilidade da PEC por 38 votos a dois. Com isso, a proposta deverá ser analisada por uma comissão especial antes de ser votada no Plenário.

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As Relações Entre a Igreja e o Estado

Publicado março 10, 2012 – Fonte
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Carlos Mariguella

Em um tempo onde bancadas religiosas obrigam o governo a recuos e no jogo das forças políticas, conquistam até um Ministério, nada religioso, no entanto, muito secular, parece ser também o tempo de olhar para o papel da Igreja e do Estado na humanidade. Passeando pelos endereços da Internet, encontrei o Discurso do então Deputado Carlos Mariguella Discurso pronunciado na sessão de 4 de julho de 1946, na Assembléia Constituinte.  No extrato do discurso que publico a seguir, Mariguella, este lutador das causas do povo, assassinado pela Ditadura Militar, debate a relação do Estado com a Religião, resgatando vários pensadores de diferentes épocas e diferentes posições diante do tema. O original, na íntegra, está publicado na Revista Problemas.

“…Na verdade, Sr. Presidente, uma tese precisa ser debatida aqui: a de que nem sempre a Igreja esteve ligada ao Estado, como, também, nem sempre esteve separada dele.

Assim como nem sempre existiu união da Igreja com o Estado, nem a sua separação, é necessário acentuar que o Estado também nem sempre existiu. É que o Estado não é senão a resultante dos antagonismos de classes; e, mais, é a instituição que visa refrear esses mesmos antagonismos. Como instrumento de domínio de classes, tem ele de valer-se de todos os meios para impor a vontade das classes dominantes sobre as dominadas.

Imposto, polícia, cadeia, tribunal, são como que os quatro pontos cardeais do Estado, instrumento de dominação de classes. E não deixa, também, de valer-se de um outro meio, exatamente a religião.

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Próxima Internet?

A confirmação da condenação dos fundadores do site thepiratebay agora em janeiro abriu um grave precedente, como se fala em jurisdicês, para que também os criadores de sites índices de conteúdo com “copyright” possam ser responsabilizados pela disponibilização das informações postadas por terceiros. Serão presos e terão que pagar multa.

Em diversos países estão sendo impostas leis “anti-piratarias” que radicalizam ainda mais a submissão da internet ao mercado e ao controle de conteúdo. A partir do dia 18.01 vimos os inúmeros protestos contra as duas leis conhecidas como SOPA e PIPA, nos estados unidos.

Aparentemente estão em standby, mas as mudanças impostas por elas e outras colocam em jogo todo ecossistema virtual atual e democrático, como o conhecemos. O software livre, o conhecimento livre, enfim, das possibilidades de cooperação em uso e ainda não exploradas estão em jogo.

1. censura, não se discute que a implementação das leis anti-piratarias possibilitam uma total submissão ao controle dos fluxos de dados que hoje já é possível, mas de forma muito mais centralizada e controlada, por exemplo, a exigência de armazenagem dos logs por x tempo – que na prática vai limitar os pequenos.

2. a internet só é o que é hoje porque todos os seus criadores, desenvolvedores, etc. afirmaram publicamente que suas criações só poderiam ser usadas gratuitamente e por todos, não patentearam, não cobraram direitos autorais. Se estas leis passarem e a internet mudar realmente seu paradigma de funcionamento, a liberdade e distribuição das informações vai mudar também, radicalmente e de maneira ameaçadora a democracia.

Convenhamos, pirataria acaba com a criatividade dos artistas? Mas quem ganha com a distribuição de bens culturais humanos? São os artistas ou as distribuidoras? Quanto custa copiar um bem cultural humano para assistir depois? Uma cadeia? Qual desenvolvimento queremos?

btjunkie           “rip”
megaupload    “rip”
thepiratebay    rip?
wikipedia         ?
gnu/linux         ?

Nas palavras de Marcelo Branco, a quebra da privacidade é prévia, eles pressupõe que você é criminoso, invadem sua privacidade para controlar seu fluxo de dados. A ex-poderosa indústria de distribuição destes conteúdos, que não se adaptou a mudança de desejo dos novos consumidores, vem agora, aliada ao desejo de controle dos governos, querer impor estas novas legislações para aumentar um pouco o tempo de vida dos morimbundos, criminalizando inclusive o compartilhamento privado.

rapidinhas CParty12

  • quantos bebedouros você viu? 7 mil pessoas sem água, reles R$ 4,00 500ml… filas no único bebedouro que vi…
  • um pouco menos filas que ano anterior geral e espaços planejados, só faltou o mapa e a programação.
  • encontro de tecnologia despolitizado? Telecoms, consumismo, mercado, bolsas, etc. não são ideológicos?

A cantilena dos ricos

<br /><b>Crédito: </b> ARTE PEDRO LOBO SCALETSKY
Crédito: ARTE PEDRO LOBO SCALETSKY

Nada mais compartilhado no Brasil do que a conversa fiada dos ricos. Funciona tão bem que convence até muitos pobres e especialmente parte da classe média que deseja se ver na parte de cima da tabela. Rico não quer pagar impostos. Em lugar de exigir que os impostos sejam bem aproveitados, usa a esculhambação nacional para propor o mínimo de impostos possível, desde que, quando estiver apertado, o Estado corra para salvá-lo com os impostos da turba. Os dados do Censo 2010 do IBGE são um tiro no coração da cantilena dos ricos. O país é deles. Fazem e acontecem. Ganham, em média, 39 vezes mais do que um pobre. Esta imagem me agarrou pelos cabelos: um pobre, com ganho médio de R$ 137,06, precisa de três anos e três meses para alcançar o que ganha num mês um reles indivíduo do meio da tabela: R$ 5.345,22. Vamos falar português claro: aí é que a porca torce o rabo, aí é que o bicho pega, aí é que está o maior escândalo nacional.

Vou falar, como ainda se diz lá em Palomas, um babado quente e forte: esse escândalo é maior do que o da corrupção, sem absolvê-la nem justificá-la. E tem mais: os 10% mais pobres ganham 1,1% do bolo, enquanto os 10% mais ricos faturam 44,5% do total. Metade da população, formada pela turma do rebaixamento, recebe em média R$ 375 por mês. Menos do que o salário mínimo. E ainda tem gente para ser contra o Bolsa-Família. E ainda tem cara de barriga cheia querendo negar as migalhas distribuídas para diminuir a escandalosa diferença existente entre quem come e se lambuza e quem raspa o tacho. Aí vai aparecer um espertalhão para falar em pieguice ou para me chamar de comunista. Só pode ser coisa de capitalista primário ou selvagem. É clichê contra clichê. E pimba na gorduchinha. Quer dizer, nas magrelinhas. E tem mais. Sempre mais. Os brancos ganham em média R$ 1.538; os amarelos, R$ 1.574; os pretos, R$ 834; os pardos, R$ 845; os índios, R$ 735. País safado, racista, machista, etc.

Em Salvador, capital negra da Nação, os brancos ganham 3,2 vezes mais do que os pretos. Em Recife, 3 vezes mais. Em Porto Alegre, 2,7. Os homem ganham em média 42% mais do que as mulheres. Vai aparecer direitista para dizer que o IBGE não é confiável. Vai aparecer reacionário para afirmar que a culpa é desse pessoal preguiçoso e que não se qualifica para ganhar mais. Vai aparecer oportunista para dizer que a Europa está quebrada por ter tentado diminuir esse fosso. Vai aparecer ideólogo para dizer que tudo isso é pura ideologia. E vai aparecer canalha para garantir que é normal. Eu digo só isto: eta país torto! Cota neles! Estou com a macaca. Vou entrar no movimento dos indignados brasileiros. Vou acampar nalguma praça. Só quatro estados não pagam o piso do magistério: Minas Gerais, Pará, Bahia e Rio Grande do Sul. Aí é que dói.

Não pode ser assim. Não pode continuar assim. Estou enfático, melodramático, “psicopático”. Tudo contra os ricos falsamente apáticos. Que o mundo é de todos. Carregarei a pesquisa do IBGE no bolso. Venham, venham, que andarei sempre armado. É no bateu levou. Na bucha.

Juremir Machado da Silva | juremir@correiodopovo.com.br