A crise deles

Márcia Denser*

A gravidade da atual crise econômica nos Estados Unidos e seus desdobramentos mundiais significa que a desregulação dos mercados e o neoliberalismo estão se esgotando, só que aqui no Brasil ainda não nos demos conta disso e por quê?

Em primeiro lugar, porque os jornalões, a grande mídia e as elites financeiras não deixam, em segundo porque, em cem anos, pela primeira vez na História, com a alta dos mercados de grãos, alimentos, gado, matérias primas, os países do G20, a América Latina e, sobretudo, o Brasil vão se dar bem.

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A Rede que seMesh x AI-5 Digital Azedo

Pode ser uma nova aurora na rede mundial de computadores. Estamos com a faca e o queijo nas mãos e, justamente por isto, surgem as tentativas de criminalizar a democracia virtual: os projetos de controle da internet. No Brasil, denominado de PL 84/99 e rebatizado para 89/2003, “encabeçado” pelo senador Azeredo.

Estamos chegando ao ponto de permitir que as pessoas compartilhem sua conexão com a internet e ainda por cima consigam navegar mais rápido e sem perigo da queda de conexão, é a chamada rede Mesh. Possibilita que cada microcomputador com conexão sem fio conectado seja um ponto de acesso público a outros microcomputadores e que cada conexão a internet seja compartilhada.

Ao mesmo tempo que estes projetos impedem o livre compartilhamento da conexão, impedem a livre e justa distribuição de conhecimento na humanidade. Afinal, não se deve unicamente a uma pessoa ou empresa o desenvolvimento de tecnologia X ou Y, do conhecimento W ou Z, mas sim a todas as gerações humanas precedentes. Precisamos ter claro o que está em jogo: não é somente criminalizar os usos indevidos da internet, é algo muito maior que envolve patentes, propriedade intelectual, difusão de conhecimento, informação e cultura.

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Os xiitas do concreto

FUNDAMENTALISMO IMOBILIÁRIO

Sem dúvida, o mundo está cada vez mais complexo. Como diz a sabedoria popular, sempre politicamente incorreta, de bunda de nenê e de cabeça de juiz de futebol, de treinador e de vereador, quando menos se espera, pode sair algo nada surpreendente. Parte da Câmara de Vereadores de Porto Alegre andava desesperada para satisfazer os desejos de alguns especuladores imobiliários determinados a construir prédios residenciais na orla do Guaiba. Alguns edis não dormiam mais de tanta pressa em realizar os sonhos dos visionários empreendedores. Poucas vezes se viu tanto empenho da parte de representantes municipais para atender uma reivindicação de alguns cidadãos ativistas.

O mais escandaloso na decisão da Câmara dos Vereadores que aprovou o projeto Pontal do Estaleiro é o item estabelecendo que se a prefeitura não realizar a consulta popular em 120 dias a lei entrará automaticamente em vigor. Deveria ser o contrário. A não realização da consulta em 120 dias teria de acarretar a perda de validade da lei. Isso prova só uma coisa: a maioria da Câmara de Vereadores não está nem aí para a consulta popular. Já fomos enganados nesse aspecto: a consulta popular é um referendo de mentirinha, sem voto obrigatório. Na verdade, havia um vício de origem na primeira aprovação. O projeto não partira do Executivo como é necessário nesse tipo de situação. Temia-se uma contestação legal passível de ser acolhida. Ao sugerir ao prefeito o veto, os vereadores deram ao Executivo a chance de apagar essa falha, enviando um projeto.

O principal problema é outro: a Câmara de Vereadores lesou retroativamente os antigos proprietários do Estaleiro Só e, concretamente, os funcionários que reclamam na Justiça os seus direitos trabalhistas. A Lei de Proteção Permanente, com suas restrições à construção de imóveis residenciais na área, puxou o preço do terreno para baixo. Não foi suficiente nem para cobrir a dívida trabalhista. A mudança da lei, por demanda dos compradores, produzirá um lucro extraordinário. A Câmara de Vereadores, se tivesse senso de justiça, teria aprovado também um mecanismo de compensação financeira para atualizar um preço tornado vil por força de uma legislação agora descartada. Venceu o lobby, a especulação imobiliária.

Num só lance, bem tramado, os que atenderam à demanda fundamentalista dos especuladores imobiliários, votando a favor do Pontal, lesaram os interesses ecológicos de Porto Alegre, os interesses trabalhistas dos funcionários do Estaleiro Só e iludiram a boa-fé dos porto-alegrenses que acreditaram na realização de um verdadeiro referendo. Desse episódio só se extrai uma lição: políticos são indivíduos, que sempre deixam uma fresta (referendo por consulta popular) para mudar de opinião e consumar os sonhos e projetos dos donos do dinheiro. É o fundamentalismo anacrônico do progresso a qualquer custo. São os xiitas do concreto. A Câmara de Vereadores podia ter proposto o uso residencial da orla como norma geral. Não o fez. Só se posicionou em relação a isso quando instada por especuladores rápidos no gatilho. Agiu por demanda. É legal. Não deixa de ser imoral e injusto. Em Palomas, os eleitores, gente simples e direta, marcaria na paleta cada um dos ágeis ideólogos defensores do Pontal. É por isso que Palomas não se desenvolve. Lá, palavra é palavra. Vale fio de bigode.

Juremir Machado da Silva

FacistYeda

Assinem a petição online contra o fechamentos das escolas do MST: mais um golpe do governo facistYeda…

http://www.petitiononline.com/05032009/

To: Governo RS to: Yeda Crusius: governadora@gg.rs.gov.br; Ministério Público: pgj@mp.rs.gov.br; Assembléia Legislativa – Presidente Ivar Pavan (PT): ivarpavan@al.rs.gov.br
c/c: MST RS: mstrs@mst.org.br

*Manifesto em defesa da reabertura e de uma melhor infra-estrutura pública da Escola Itinerante do MST-RS*

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crucius, e parte direitista do Ministério Público do estado estão golpeando as Escolas Itinerantes do MST no Rio Grande do Sul, decretando o banimento dessas instituições educativas. O ato de proscrever essa inspiradora iniciativa educativa do MST é parte do processo de criminalização e de expulsão do MST do estado, conforme vem sendo denunciado pelas entidades democráticas de dezenas de países.

Para proteger os latifúndios e as corporações, em especial as de celulose, Yeda e seus aliados querem cortar o que julgam ser o “mal pela raiz”: a educação das crianças, dos jovens e dos adultos que estão acampadas há anos, pois nada é feito em prol da reforma agrária. A governadora quer silenciá-los.

Os camponeses foram expropriados de suas terras pelo poder do grande capital e nenhuma alternativa econômica lhes foi possibilitada. É por isso que as bandeiras do MST tremulam à beira das rodovias que ladeiam os latifúndios destrutivos. Dignamente os camponeses resistem lutando pela democracia que, para ser verdadeira, não pode prescindir dos meios econômicos que assegurem condições de vida humana. E as Escolas Itinerantes são parte desse processo civilizatório.

As Escolas Itinerantes do MST são espaços de conhecimento, criação, socialização com base em valores ético-políticos libertários e democráticos. São espaços públicos de formação humana, de crítica e de renovação do pensamento pedagógico brasileiro e latino-americano. Estudiosos de diversos países as investigam e as difundem por meio de teses, artigos, experiências de educação popular, propagando ideais pedagógicos originalmente sistematizados e difundidos por Paulo Freire. As Escolas Itinerantes são lugares que estão propiciando reflexões que permitem construir um melhor futuro para a educação pública, gratuita, laica e autônoma frente aos interesses particularistas e mesquinhos como os professados pelo atual governo estadual.

Exigimos a imediata reabertura das Escolas Itinerantes acompanhadas pelo MST, bem como a garantia de que o poder público assegurará a infra-estrutura necessária ao pleno funcionamento das mesmas. Os signatários do presente Manifesto estarão acompanhando as ações do governo estadual nos sindicatos, nas escolas, nas universidades, nas lutas sociais, promovendo denúncias e atos políticos até que as escolas voltem às crianças, aos jovens e aos professores que nelas atuam.

Roberto Leher – UFRJ
Virginia Fontes – UFF

A TV que a gente quer

Quase todo mundo vê novela, mas nem todas as novelas são boas. Muitas são chatas, só que as pessoas vêem para não ficarem paradas de noite.
Algumas novelas são ruins, têm só babaquices. Não se fala nada da vida.
As pessoas não se acham parecidas com os personagens. Precisava ter personagens mais reais e não só histórias.
Na hora da novela não se conversa. Se conversa, leva chingão.
O pior da TV são as notícias porque elas não falam das coisas boas do mundo, só das ruins: violência, pessoas morrendo, enchentes, atropelamentos.
Seria ótimo se a gente pudesse ver mais notícias boas e lugares bonitos. E também desenhos, filmes, clipes e programas como o Art Atack, que ensina as crianças e adolescentes a fazer arte.

Jornal Boca de Rua 7
jan/fev/mar/2009

A intoxicação linguística

Traços do discurso capitalista
por Vicente Romano [*]

1. A Economia dos Sinais
2. A Simplificação
3. Traços do discurso jornalístico actual
4. O pensamento mágico
5. O modo indicativo e imperativo
6. A perda do diálogo e do discurso
7. Aspectos epistemológicos
8. Perspectivas

1. A Economia dos Sinais

A expansão da indústria da comunicação tem por objectivo alcançar da forma mais rápida possível, através dos mais amplos espaços possível, o maior número de pessoas possível. Os gastos técnicos da mensagem individual reduzem-se na proporção em que o maior número de receptores possível se encontre conectado à rede. O telespectador crê que escolhe, quando prime um botão do televisor ou quando compra um jornal. Mas o que está, de facto, a escolher é a sua ligação a um sistema heterodeterminado.

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O uso perverso da linguagem

por Vicente Romano

É frequente os seres humanos praticarem acções que no fundo desconhecem. O facto de alguém fazer algo não é demonstrativo de que saiba o que está a fazer. Costuma-se atribuir às máquinas a particularidade de realizarem uma finalidade que ignoram. O automóvel leva-nos a um destino sem disso ter consciência. É conduzido a ele. Porém, como diz E. Rauter, o facto de que nos comportemos como máquinas só na aparência é raro [1] .

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